Serviços Farmacêuticos nas farmácias

Serviços Farmacêuticos nas farmácias

A elevada disponibilidade e acessibilidade aos serviços farmacêuticos disponibilizados nas farmácias e a reconhecida competência destes profissionais de saúde para intervir em áreas como a promoção da adesão à terapêutica, o acompanhamento dos doentes crónicos ou em outros programas de saúde pública justificam um maior aproveitamento e sua integração na rede de cuidados de saúde primários, em estreita articulação com as prioridades definidas pelas autoridades e com os restantes profissionais de saúde que prestam cuidados aos doentes.


Ao longo dos anos, as farmácias têm sabido acompanhar as necessidades em saúde dos portugueses e demonstrar a mais-valia da sua intervenção em áreas onde os serviços públicos de saúde apresentam uma resposta mais deficitária ou distante.

O leque de serviços farmacêuticos que vem sendo oferecido à população, em muitos casos de forma gratuita, responde a carências específicas dos doentes e do Serviço Nacional de saúde (SNS), disponibilizando-se, de forma complementar, cuidados assentes no rigor técnico-científico, que beneficiam da sua elevada qualidade e proximidade.

Em bom rigor, o sucesso de todos estes programas que as farmácias vêm desenvolvendo só é alcançado quando integrado num trabalho multidisciplinar que fomente a partilha de informação entre os diferentes profissionais de saúde que acompanham os cidadãos que precisam de cuidados.

Do mesmo modo, os programas em causa só produzirão resultados se implementados em coordenação com as autoridades de saúde, evitando o desperdício ou a duplicação de recursos.

Um estudo recente promovido pela Ordem dos Farmacêuticos estima que a intervenção dos farmacêuticos nas farmácias comunitárias gera uma poupança anual de cerca de 880 milhões de euros.

Além do valor económico destas intervenções, foi também possível demonstrar que o leque de serviços disponibilizados por estes profissionais de saúde se traduz no aumento da qualidade de vida e longevidade da população. 

Os dados apurados indicam que os farmacêuticos comunitários realizam mais de 120 milhões de atos por ano, atendendo cerca de 4,2 milhões de cidadãos e dedicando a esse trabalho 11 milhões de horas. Esta atividade contribuiu para uma redução do consumo anual de cuidados de saúde, como consultas não programadas, urgências e internamentos hospitalares, estimada em seis milhões de intervenções.

Além das intervenções farmacêuticas junto dos doentes crónicos, em especial dos casos de hipertenção, diabetes e asma, ou DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica), nomeadamente no âmbito da adesão à terapêutica, o estudo realça igualmente o valor social e económico do sector em situações de febre, tosse, constipação, obstipação, diarreia, obesidade, contraceção de emergência, cessação tabágica, etc.

O início da dispensa de medicamentos para o VIH/sida nas farmácias comunitárias, até agora de uso exclusivo hospitalar, a que mais tarde se poderá juntar a dispensa de medicamentos oncológicos, é uma demonstração de confiança nas capacidades dos farmacêuticos comunitários portugueses para prestarem um serviço diferenciado.

Não obstante as competências dos profissionais farmacêuticos serem as mesmas na farmácia comunitária e na farmácia hospitalar, esta transferência de responsabilidades pode originar ganhos, fundamentalmente, pela proximidade ao cidadão à rede de farmácias.

Por outro lado, a implementação desta medida, anunciada como prioridade ainda durante o período pré-eleitoral, espelha, uma vez mais, o compromisso dos farmacêuticos na execução de políticas que visem, por exemplo, promover a adesão às terapêuticas, a segurança no uso dos medicamentos ou uma aproximação efetiva do sistema aos cidadãos. 

São muitas as áreas em que os farmacêuticos podem disponibilizar os seus conhecimentos e experiência em prol dos doentes e do sistema de saúde. O Governo sabe-o bem, tal são as vezes em que as estruturas representativas do setor o manifestam abertamente; os doentes também o sabem, fruto de um contato regular e da confiança que depositam nestes profissionais. O País merece que se avance nestas reformas, aprofundando as que já estão em marcha e delineando novos caminhos que façam chegar mais Saúde aos cidadãos, particularmente os doentes e os mais desprotegidos.

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