Gestão privada que serve o interesse público
20 Jun'17 | Braga

Gestão privada que serve o interesse público

O Hospital de Braga foi considerado o melhor hospital do país na avaliação recentemente divulgada pela Entidade Reguladora da Saúde. Em vários rankings e benchmarkings de outras entidades privadas, aparece também com as melhores pontuações. Sob um modelo de gestão em parceria público-privada entre o Estado e o grupo privado José de Mello Saúde, esta unidade do Serviço Nacional de Saúde, disponibiliza cuidados de saúde de referência a toda a população minhota.

[A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos esteve acompanha neste Roteiro Farmacêutico em Braga pelo presidente da Secção Regional do Norte, Franklim Marques, e pela diretora da Área Institucional e Políticas de Saúde, Clara Carneiro]

Antes de percorrer as instalações do hospital, na companhia da diretora coordenadora das Farmácias da José de Mello Saúde, Teresa Aires, e da diretora técnica dos Serviços Farmacêuticos do Hospital de Braga, Ana Plácido, a bastonária esteve reunida com os membros da Comissão Executiva do hospital, João Ferreira, presidente, e José Luís Carvalho, administrador executivo, ficando a conhecer alguns indicadores da atividade assistencial desta unidade de saúde.

O Hospital de Braga foi inaugurado em maio de 2011, dois anos depois da assinatura do contrato de gestão com o Ministério da Saúde, substituindo o antigo Hospital de São Marcos, com mais de 500 anos de história. É a unidade hospitalar de referência para vários concelhos limítrofes (cerca de 320 mil habitantes), mas sendo um hospital de fim de linha na região do Minho, vê a sua área de influência abranger mais de um milhão de pessoas. Se a estes números acrescentarmos o princípio da liberdade de escolha dos doentes, facilmente se atingem e multiplicam o numero de utentes que a ele recorrem, situação que se acentua com as notícias relativas às boas classificações do hospital nas diferentes avaliações.

Embora não seja formalmente um hospital universitário, tem uma relação muito próxima, até fisicamente, com a Escola de Medicina da Universidade do Minho, recebendo internos do ano comum e de especialidade. O Hospital de Braga é, aliás, o maior empregador da cidade, com mais de 2.500 colaboradores.

Nestes seis anos de atividade, todos os indicadores de produção aumentaram: internamentos; consultas, cirurgias ou urgências. Apenas o número de partos diminuiu, embora esteja este ano a aproximar-se dos valores de 2011.

Os responsáveis do hospital destacam as exigências contratuais desta parceria, referindo que são monitorizados quase uma centena de indicadores de qualidade, execução, acessibilidade, entre outros. Contudo, ao contrário dos restantes hospitais do SNS, nomeadamente dos hospitais EPE, estas unidades geridas em parceira público-privada não têm benefícios pelo cumprimento destes indicadores definidos contratualmente. Ao invés, têm importantes penalizações por incumprimento.

Durante esta reunião com os membros do conselho de administração, foi também abordada a problemática da dispensa em ambulatório de medicamentos para o VIH/sida e esclerose múltipla. José Ferreira explicou que o Estado não financia estes tratamentos nos hospitais PPP porque tal não estava previsto nos contratos celebrados. Com um custo de cerca de 10 milhões de euros por ano, inteiramente suportados pelo hospital, estes programas ameaçam a sustentabilidade da unidade, razão pela qual os responsáveis procuram encontrar soluções que não coloquem em causa o acesso dos doentes a esta medicação.

Em 2012, o Hospital de Braga e a Universidade do Minho criaram o Centro Clínico e Académico (CCA), que tem como parceiro a Eurotrials, consultora científica na área da Saúde. A convivência no mesmo espaço do hospital tem trazido importantes benefícios, aumentando o conforto para os doentes, que são alvo de um atendimento e acompanhamento personalizado pelos profissionais do centro, o que contribui decisivamente para uma taxa de recrutamento para os estudos clínicos superior a 80%.

Dos 120 estudos clínicos atualmente em curso no CCA, 52 dizem respeito a ensaios clínicos de fase 2 e 3 e um de fase 4. O grande objetivo dos responsáveis do CCA é alargar a sua capacidade para realização de ensaios de fase 4, o que está previsto acontecer até final do ano, revelou o diretor do Centro, João Cerqueira, na breve visita que a comitiva da OF fez às instalações.

Nesta fase, foi também possível contactar com a farmacêutica colaboradora do centro e perceber a estreita relação entre os Serviços Farmacêuticos e este centro. Em conversa com estes responsáveis, a bastonária registou as necessidades formativas dos profissionais que exercem nesta área dos ensaios clínicos e corroborou a importância da aquisição de competências nesta área. O CCA está já a estruturar uma formação dirigida também a farmacêuticos, para a qual a OF manifestou a disponibilidade para colaboração e apoio cientifico.

Antes de se deslocar aos Serviços Farmacêuticos, a bastonária passou ainda pelo Serviço de Patologia Clínica, que conta com quatro colaboradores farmacêuticos, tendo nesta fase trocado algumas impressões com a responsável do serviço sobre as competências dos farmacêuticos analistas, muito especialmente sobre a sua integração na futura Carreira Farmacêutica.

Este foi também um dos temas abordados no percurso pela farmácia hospitalar. Conduzida pela diretora técnica, a bastonária visitou as diferentes áreas dos Serviços Farmacêuticos, que assumem a responsabilidade pela segurança do medicamento em ambiente hospitalar e a gestão de cerca de 35 milhões de euros com esta tecnologia de saúde, num total de 150 milhões de euros do orçamento do hospital

Com uma equipa de 20 farmacêuticos, uns afetos às tarefas logísticas; outros mais vocacionados para a área clínica, os serviços farmacêuticos hospitalares contam ainda com a colaboração de 7 técnicos, 3 administrativos e 12 assistentes operacionais, num total de 42 colaboradores afetos ao serviço.

Entre os principais projetos elencados pela diretora técnica numa breve reunião com a comitiva da OF estão farmácia clinica e o acompanhamento da visita médica, as reuniões com os cuidadores para aconselhamento terapêutico, a reconciliação da terapêutica ou a participação e acompanhamento dos planos terapêuticos dos doentes com VIH/sida, esclerose múltipla ou na nutrição parentérica não só no internamento, mas também no domicílio.

A visita terminou com um momento de convívio com alguns membros da equipa da farmácia, altura em que a bastonária agradeceu a receção e destacou as boas impressões com que ficou desta visita, que tornam percetível a elevada classificação deste hospital nos divesos rankings.

Tal como já o havia afirmado em Roteiros anteriores a unidades hospitalares geridas em parceria público-privadas, a bastonária reiterou a importância de se retirarem ensinamentos destas experiências, livres de quaisquer ideologias e assentes nos resultados e na evidência. Ana Paula Martins realçou também que o sistema de saúde português desenvolveu-se em complementaridade entre os setores público e privado, permitindo também o desenvolvimento de grupos privados na área da Saúde, de origem nacional, que muito tem feito pela Saúde dos portugueses. 


FARMÁCIA ALVIM

Ainda em Braga, a bastonária aceitou o repto lançado pela Farmácia Alvim, para conhecer as novas instalações, depois de concretizada a transferência do centro da cidade há cerca de quatro meses.

Foi, portanto, num espaço novo e moderno, com uma ampla zona de atendimento ao público e com todas as condições para os oito farmacêuticos e restante equipa de colaboradores desenvolverem o seu trabalho, que as responsáveis da farmácia, a proprietária, Fernanda Santos, e a diretora técnica, a filha Mariana Santos, receberam a bastonária e a comitiva da OF, apresentando as instalações e os serviços disponibilizados nesta unidade.

Com expositores e áreas reservadas à ortopedia, ótica, cosmética ou puericultura, entre outras, a Farmácia Alvim procura diferenciar-se através de um aconselhamento especializado. Em conversa com a bastonária, Fernanda Santos revela a preocupação em investir na formação dos seus colaboradores e relatou também algumas experiências no contacto com a comunidade, em particular nas ações de rua e nas escolas que com frequência visita na sua unidade móvel.

Ao longo desta visita, a bastonária trocou também algumas impressões com os restantes colegas, reforçando sempre a importância das farmácias não se afastarem da essência da sua atividade, centrada nos doentes, no medicamento e num aconselhamento profissional em saúde que é valorizado pela população.

Ana Paula Martins falou ainda sobre o processo legislativo em curso que levará à publicação da portaria sobre os serviços que podem ser prestados nas farmácias, lembrando o impacto e as alterações que podem vir a ser requeridas a estas unidades de saúde.

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